Num mar obscuro
e sombrio bem longe de um reino humano, vivia uma sereia aprisionada pela sua
família malvada.
O seu pai, rei
daqueles mares e caçador sanguinário de humanos, seres que ele odiava, ia empilhando
os corpos das suas vítimas pelo seu reino à medida que os ia matando, de modo a
provocar o medo e a dissuadir qualquer humano que se aproximasse dos seus
domínios.
Com receio que
o seu povo descobrisse que afinal os humanos não eram assim tão maus como ele
fazia crer, o rei tinha regras muito rígidas, sobretudo1 para com a sua filha
que estava completamente proibida de chegar à superfície.
À medida que a sereia foi
crescendo, oprimida pelas regras e esmagada pela pressão exercida pelos
próprios pais, cada vez mais ela se sentia revoltada.
Um dia, estava a Sereia a nadar
pelo oceano quando encontrou o sítio onde o pai guardava os cadáveres dos
humanos que ia matando. Como ela não sabia que o autor daquelas mortes era o pai
começou a achar que os humanos eram criaturas muito más, pois achava que se
matavam uns aos outros.
Chocada com a descoberta,
resolveu ir contar ao pai. Ao chegar à sala do rei, esbaforida, a sereia contou
tudo o que tinha visto: os corpos, a localização, o seu espanto... o rei ouviu
tudo, de cara fechada, mas teve dificuldades em se controlar pois nunca pensou
que alguém conseguisse dar com a localização dos corpos. A sereia, que conhecia
bem o pai, ficou desde logo desconfiada da atitude do pai, sobretudo porque ele
não quis ir com ela ver onde estavam os corpos desvalorizando a descoberta.
Perante isto, a sereia resolveu
investigar por conta própria. Foi ter
com a baleia azul (que estava escondida pois o rei a tinha proibido de falar
com a sua filha) e contou sobre a sua descoberta e pediu conselhos sobre o que
fazer. A baleia azul, apesar de estar obrigada ao silêncio pelo rei dos mares,
conseguiu fazer com que a sereia ficasse desconfiada de que alguma coisa de
muito grave se passava com todos à sua volta e que, a sua família, não era bem
aquilo que ela pensava.
Assim, pouco depois e
aproveitando uma tarde em que todos estavam distraídos, a sereia conseguiu
passar pelo portão dos mares e subiu à superfície.
À superfície, a sereia viu um
príncipe navegando no seu barco e ficou encantada pois nunca pensou que os
humanos pudessem ser tão bonitos. Antes que dessem pela falta dela, a sereia
regressou às profundezas do mar. Entretanto, a baleia que tudo via estava
incrédula com a rapidez com que a sereia tinha mudado de ideias em relação aos
humanos apenas com uma ida à superfície, mas contente porque pela primeira vez
em anos havia esperança de que a sereia descobrisse o que de mal se passava
naquele reino.
Entretanto, à superfície, começa uma tempestade e um relâmpago
atinge a embarcação do príncipe que se desequilibra e cai ao mar inconsciente.
Logo, o rei dos mares deu ordem para que matassem todos os humanos que
estivessem dentro de água. Ariel, ao ouvir isto, nadou desesperadamente até ao
local onde tinha avistado o barco do príncipe e antes de todos reconheceu-o,
agarrou nele e levou-o para a superfície colocando-o na areia. Como ele não
recuperava a consciência resolveu entoar uma melodia de sereia... pouco depois
avistou alguém que se aproximava e teve de entrar na água.
Ao descer já o seu pai a
esperava, ameaçando-a com as fossas infernais, de onde ninguém regressava, como
castigo para a sua desobediência. Ariel ficou ainda mais assustada uma vez que
nunca tinha visto este lado do seu pai. Foi para os seus aposentos e fingiu
obedecer-lhe. Mais tarde foi ter com a baleia azul, cujo corpo tinha sido
possuído pela bruxa do mar que desde sempre queria roubar a beleza de Ariel, e
pediu-lhe ajuda para ir à superfície e avisar o príncipe do que se estava a
passar lá em baixo – uma verdadeira caça ao homem. A bruxa disse a Ariel que a
transformaria em humana para poder ir à superfície. No entanto, enquanto ela lá
estivesse ficaria com a sua voz e nesse período de tempo tinha de conseguir
convencer o príncipe a beijá-la. Se tal não acontecesse ficaria com a sua voz
para sempre.
Ariel foi até à superfície e
provocou um encontro com o príncipe, mas quando ia para falar, nenhum som saiu.
Ao reparar que Ariel não falava, o príncipe, que chegou a pensar ter sido ela a
salvá-lo, desistiu da ideia. Dois dias passaram e não havia aproximação entre
os dois pois o príncipe andava à procura da voz que tinha ouvido.
A baleia azul, que, entretanto,
se tinha libertado do corpo da bruxa, ordenou a todos os peixes do mar que
entoassem uma música romântica de modo a fazer com que o príncipe visse em Ariel
a menina que o tinha salvo. E assim foi... os dois olharam um para o outro e de
repente beijaram-se. Logo depois, mar começa a revoltar-se e levanta-se uma
tempestade horrível, com ventos e relâmpagos, provocada pelo rei dos mares que
em conjunto com a bruxa tentavam desmascarar Ariel tentando que ela voltasse à
forma de sereia.
Ariel atira-se ao mar quando se
sente a transformar, mas o príncipe acaba por ver as suas pernas transformadas
já em cauda de sereia. Inicialmente ficou chocado, mas não teve tempo para
pensar pois tinha de dar conta do barco e tentar não cair à água. Quando Ariel
regressa a casa, o pai encerra-a numa masmorra e diz-lhe que ela jamais voltará
à superfície. Ariel passa os seus dias agarrada às grades da masmorra a chorar.
À superfície, depois que a
tempestade terminou, o príncipe, todos os dias regressa à praia para tentar
reencontrar aquela sereia, por quem estava perdidamente apaixonado. E assim,
passava os seus dias na praia a tocar a sua flauta na tentativa de imitar o seu
canto.
Algum tempo depois, e como tudo
parecia controlado, a bruxa relaxou e deixou de estar alerta em relação a tudo
o que se passava no fundo do mar. Aproveitando esta baixa de guarda, a baleia
azul conseguiu chegar perto da masmorra de Ariel e libertou-a indicando-lhe o
caminho para ir ter com o príncipe.
E assim foi. Ariel nadou, nadou,
nadou com todas as suas forças até à superfície e foi ao encontro do príncipe
que se encontrava sentado numa rocha no mar. Ariel, não se atreveu a sair da
água, pois sentia vergonha da sua cauda. Mas o príncipe incentivou-a e ao vê-la
ficou maravilhado dizendo-lhe que era a coisa mais bela que alguma vez tinha
visto!
Com isto, os dois beijaram-se
longamente e ao mesmo tempo que se beijavam, Ariel começou a sentir as suas
pernas tomarem conta da cauda de sereia. Nisto começam-se a levantar ondas
gigantes e os dois apenas têm tempo para fugirem para a praia e se esconderem
atrás de um rochedo.
De lá, assistem a um confronto
entre a bruxa má e a baleia azul. Foi um confronto violento saindo vencedora a
baleia pois tinha atrás de si um exército de peixes que finalmente tinham sido libertados
da magia da bruxa.
Quando tudo terminou, a baleia
explicou que a bruxa tinha feito um feitiço e que todos estavam sob o seu
poder. Na verdade, o rei não era um sanguinário caçador de humanos, e Ariel não
era originalmente uma sereia, mas sim uma princesa.
Com tudo de volta à normalidade,
Ariel casou-se com o príncipe, e como ambos eram muito divertidos e para fazer
justiça à sua história, casaram-se no dia de Halloween, com todo o cenário a
condizer.